28/03/2015

ALÍVIO

ALÍVIO

                                                  Márcio Almeida

Uma noite sem pernilongo,
uma semana sem falcatrua da Petrobras,
uma chuvinha com raios e trovões em meio a madrugada,
um jornal de TV sem bala perdida,
um dia  sem falta d´água,
um consenso no Congresso a favor do povo,
um dia sem o risco de apagão,
um outro dia sem aumento das taxas de serviços,
um programa de TV sem apelação ao sexo,
um político pronunciando a palavra "nós",
uma música que não seja só sertanoja ou funk,
um jornal sem a conivência com o poder,
uma religiosidade sem as peias do fanatismo,
uma manifestação pública sem os excessos do rancor,
um atendimento no SUS sem  omissão,
uma ida ao supermercado sem  inflação,
um livro bom que não seja best-seller,
uma taxa que não tenha desemprego,
uma redação do Enem que não tenha nota zero,
24 horas apenas sem o país entrar em déficit,
um outro sem o aumento de juros e tarifaço,
um expediente de Brasília sem o lastro da falácia,
um poente verde na Amazônia sem  prostituição ecológica,
um dia nas megalópoles sem o drama apocalíptico,
uma hora de preservação histórica ameaçada pela penúria,
um novo cânone que não se baseie em carnaval e futebol,
uma lei seca contra a operação Lava-Jato,
uma outra lei que não engesse as artes e a cultura,  
e ainda uma lei contra os embargos continentais,
um encolhimento no mercado de veículos aqui ou na Rússia, 
uma arrecadação que não seja pilhada por subterfúgios,
uma dívida que não comprometa as futuras gerações,
um resgate da perda quase irreparável da legitimidade política do país,
um refresco nos ataques terroristas no Oriente Médio,
uma bandeira branca contra as guerras pelo mundo,
uma reportagem definitiva sobre o massacre de judeus na 2a Guerra,
uma serventia gratuita  para smartphones e avanços da tecnologia,
um espelho para a transparência,
um antídoto contra os recordes inseguros (mortes, roubos, assaltos),
uma garantia para a liberdade de imprensa,
um idioma universal, um green card universal,
um aproveitamento de mais de 0,01% do cordão umbilical de banco privado de sangue,
um planejamento familiar planetário,
um ovni para esticar a vida fora da Terra,
uma forma para livrar o país de 32 bi nas contas públicas,
um único dia sem competitividade humana,
um único dia sem cometer devassa na natureza,
uma chance para tirar o país da UTI,
um instante para lembrar que a poesia (ainda) existe.

POESIA BRASILEIRA IMPRESCINDÍVEL

  • A CONTINGÊNCIA DO SER - Célio César Paduani
  • A INSÔNIA DOS GRILOS - Jorge Tufic
  • A ROSA DO POVO - Carlos Drummond de Andrade
  • A SOLEIRA E O SÉCULO - Iacyr Anderson Freitas
  • ARTEFATOS DE AREIA - Francisco Carvalho
  • AS IMPUREZAS DO BRANCO - Carlos Drummond de Andrade
  • BARCA DOS SENTIDOS - Francisco Carvalho
  • BICHO PAPEL - Régis Bonvicino
  • CANTATA - Yeda Prates Bernis
  • CANTIGA DE ADORMECER TAMANDUÁ E ACORDAR UNS HOMENS - Pascoal Motta
  • CENTRAL POÉTICA - Lêdo Ivo
  • CONVERSA CLARA - Domingos Pelegrini Jr.
  • CRIME NA FLORA - Ferreira Gullar
  • DICIONÁRIO MÍNIMO - Fernando Fábio Fiorese Furtado
  • DIÁRIO DO MUDO - Paulinho Assunção
  • DUAS ÁGUAS - João Cabral de Melo Neto
  • FINIS TERRA - Lêdo Ivo
  • GUARDANAPOS PINTADOS COM VINHO - Jorge Tufic
  • INVENÇÃO DE ORFEU - Jorge de Lima
  • LAVRÁRIO - Márcio Almeida
  • NOVOS POEMAS - Jorge de Lima
  • O ESTRANHO CANTO DO PÁSSARO - Célio César Paduani
  • O ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA - Cecília Meirelles
  • O SONO PROVISÓRIO - Antônio Barreto
  • OS MELHORES POEMAS DE FERREIRA GULLAR - Ferreira Gullar
  • PASTO DE PEDRA - Bueno de Rivera
  • POEMA SUJO - Ferreira Gullar
  • POEMAS REUNIDOS - João Cabral de Melo Neto
  • POESIA REUNIDA - Jorge Tufic
  • RETRATO DE MÃE - Jorge Tufic
  • VER DE BOI - Pascoal Motta
  • VIANDANTE - Yeda Prates Bernis