AINDA ONTEM RUMINÁVAMOS NA SALA
Geraldo Reis
Ainda ontem ruminávamos na sala,
o esqueleto dos galos embalados
no compromisso quase braçal
de ouvir a grama.
Disfarçados de bruma, revisitávamos
o vale.
E assim marcamos no calendário
o dia de recuperar o sítio hipotecado.
Nele dorme antepassado
o ouro em pó de nossos ossos.
Ainda ontem ruminávamos na sala
a infâmia dos cavalos que apodrecem
na chuva.
Hoje nosso canto se repete
no calvário de vidro que inventamos
no quintal colonial que somos
em desvario,
vestidos de raro verde.
Nosso canto se assemelha à bússola dos pobres,
atravessando a rua quando chove.
E se repete
e deságua
e ressuscita
No suor que se renova
no derradeiro tropel de pão
que ouvi dos dromedários.
Geraldo Reis - BH 07/02/2025


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