17/01/2018
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Saúdo dois novos seguidores:
Adamor Neves, culto, inteligente - um humanista, enfim, que respeito e admiro desde os tempos em que frequentávamos o Curso de Letras da FAFIBH,por volta de ali de 73/74. Com alegria reencontro esse Mestre. Vamos reatar os laços de uma amizade apenas interrompida.
Dagmar Oliveira, aparece aqui, mas temos um contato antigo, desde que a descobri na internet e acompanho a suas postagens. Combativa, vem demonstrando, sempre, pelas postagens, ser pessoa extremamente ligada ao tempo presente.
Bem vindos, amigos!
Meu blog está merecendo novas publicações.
Prometo cuidar disso.
Muito obrigado aos novos e velhos seguidores.
E... Viva a Poesia.
07/08/2017
26/06/2017
CONFERIR: POESIA QUE VEM DO NORTE
POESIA QUE VEM DO NORTE
Coleção Novos Escritos’, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa
Novos Escritos: Mais duas obras da Coleção Novos Escritos, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa coleção serão o lançadas em João Pessoa - Paraíba. (Li essa notícia e dou minha contribuição no blog. Não conheço os autores e não tenho, por enquanto,uma amostra do trabalho deles. Ei "tiurma". Quem tiver, e puder, pode mandar. Teremos prazer em divulgar.
Os escritores Roberto Menezes, autor do romance ‘Pirilampos Cegos’, o título é intrigante, e Lúcia Wanderley, autora do livro de poemas ‘Mergulho’, farão o lançamento de suas obras nesta quinta-feira (5/jun/2008)), a partir das 18h, no Teatro Ednaldo do Egypto, onde funciona o Centro de Arte e Cultura Municipal (CACUM). O pessoal dos arredores deve prestigiar, do contrário, a literatura, como o circo, acabará morrendo mais um pouco.
As publicações integram a ‘Coleção Novos Escritos’, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa Os interessados podem (e devem) adquirir os livros no local, onde haverá uma sessão de autógrafos e, certamente, um coquetel. O evento tem apoio de divulgação da Funjope - Fundação Cultural de João Pessoa.
Maria Lúcia Wanderley, é paraibana, natural da cidade de Espinharas e mora na Capital desde 1979. Começou a escrever aos 14 anos, tem mostra uma influência da infância vivida no interior (ah Proust!). Da vida no campo trouxe elementos que enriquecem sua poesia. Segundo li, a influência do campo na sua poesia pode ser notada a partir do título de algumas de suas obras como ‘Águas Caladas’, um bom título, ‘Íris no Arco’, e no próprio ‘Mergulho’.
Segundo a notícia, "Na escrita, a poetisa traz influência da literatura de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Pablo Neruda, Herman Hesse, até a música de Chico Buarque, Raul Seixas e o estilo erudito."
Roberto Menezes da Silva é pernambucano, reside desde a sua infância, em Santa Rita. Escreve desde os 16 anos, vagueando entre a poesia e a prosa, já tendo escrito uma grande quantidade de contos. Menezes possui uma característica que é o uso de elementos de poesia na prosa. Seu romance de estréia, ‘Pirilampos Cegos’, tem personagens fortes e marcantes, e mostra fielmente o estilo do escritor.
O livro é um romance curto sobre dois personagens que se encontram em momentos inusitados de suas vidas. Segundo ele, “Pirilampos é direto, aborda temas perturbadores de maneira original. O encontro entre Laura, moça presa ao ciclo, e Jorge, homem pela metade, faz-nos pensar sobre o que perdemos e o que não conseguimos conquistar”.
Coleção Novos Escritos’, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa
Novos Escritos: Mais duas obras da Coleção Novos Escritos, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa coleção serão o lançadas em João Pessoa - Paraíba. (Li essa notícia e dou minha contribuição no blog. Não conheço os autores e não tenho, por enquanto,uma amostra do trabalho deles. Ei "tiurma". Quem tiver, e puder, pode mandar. Teremos prazer em divulgar.
Os escritores Roberto Menezes, autor do romance ‘Pirilampos Cegos’, o título é intrigante, e Lúcia Wanderley, autora do livro de poemas ‘Mergulho’, farão o lançamento de suas obras nesta quinta-feira (5/jun/2008)), a partir das 18h, no Teatro Ednaldo do Egypto, onde funciona o Centro de Arte e Cultura Municipal (CACUM). O pessoal dos arredores deve prestigiar, do contrário, a literatura, como o circo, acabará morrendo mais um pouco.
As publicações integram a ‘Coleção Novos Escritos’, organizada pela Fundação Cultural de João Pessoa Os interessados podem (e devem) adquirir os livros no local, onde haverá uma sessão de autógrafos e, certamente, um coquetel. O evento tem apoio de divulgação da Funjope - Fundação Cultural de João Pessoa.
Maria Lúcia Wanderley, é paraibana, natural da cidade de Espinharas e mora na Capital desde 1979. Começou a escrever aos 14 anos, tem mostra uma influência da infância vivida no interior (ah Proust!). Da vida no campo trouxe elementos que enriquecem sua poesia. Segundo li, a influência do campo na sua poesia pode ser notada a partir do título de algumas de suas obras como ‘Águas Caladas’, um bom título, ‘Íris no Arco’, e no próprio ‘Mergulho’.
Segundo a notícia, "Na escrita, a poetisa traz influência da literatura de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Augusto dos Anjos, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Pablo Neruda, Herman Hesse, até a música de Chico Buarque, Raul Seixas e o estilo erudito."
Roberto Menezes da Silva é pernambucano, reside desde a sua infância, em Santa Rita. Escreve desde os 16 anos, vagueando entre a poesia e a prosa, já tendo escrito uma grande quantidade de contos. Menezes possui uma característica que é o uso de elementos de poesia na prosa. Seu romance de estréia, ‘Pirilampos Cegos’, tem personagens fortes e marcantes, e mostra fielmente o estilo do escritor.
O livro é um romance curto sobre dois personagens que se encontram em momentos inusitados de suas vidas. Segundo ele, “Pirilampos é direto, aborda temas perturbadores de maneira original. O encontro entre Laura, moça presa ao ciclo, e Jorge, homem pela metade, faz-nos pensar sobre o que perdemos e o que não conseguimos conquistar”.
06/11/2015
CARTA ABERTA
CARTA ABERTA A ELIAS LAYON
(De GERALDO REIS, em Belo Horizonte
para ELIAS LAYON, em Mariana)
Layon, quando pintares o Juízo Final,
põe nele o meu rosto, entre as mãos de Deus se comprimindo.
Derrama alguma cor na tela,
exatamente sobre esse meu olho esquerdo assim
desfigurado
(éter?
útero?
eternidade?)
e uma tristeza talvez
de derramado fim de festa.
Põe, com requintes na tela,
mais essa invenção de última hora:
o órgão da Sé tocando um miserere
entre recôncavos e morros
e muito verde, LAYON,
muito verde ao fundo.
Põe depois alguma intimidade
na inconfidência mineira maltratada alhures
exclamação nas emoções cantadas de viés
futuridade na cor que refletir meu gesto
ponto de partida do nada que fui
ao que não foi meu verso e a minha fragilidade.
Nada mais acrescente à receita
que um cheiro úmido de terra,
com meninos cegos ao fundo
atestando o milagre da chuva diante de folhas secas.
Ainda assim, LAYON,
não comprarei esse quadro que não me define,
com motivações de fundo e forma que não me comportam.
(Nem sei se estou respirando na tela!)
A inocência de quem se envolveu na luta com a palavra
(e perdeu sempre) ficou nos becos da infância.
A camisa branca de minha adolescência
ficou nos becos da infância.
A clara dentição dos meus antepassados
ficou nos becos da infância.
A mão do menino que descrevia parábolas
e acenava para a mulher na janela inventada
ficou nos becos da infância.
O coração que imaginei generoso e de olhar impassível
ficou nos becos da infância.
O temor a Deus,
o arremedo de fé,
o remorso,
a sede
o arrepio das palavras tomadas de assalto
nos becos escuros de um verso ainda mal apanhado
a eternidade expulsa do paraíso
como se fora a própria serpente
que não considerava, por sedutora,
a inesperada gravidez da pedra,
as reticências, as meias-palavras,
as dobras ocultas do ocaso
que não pousaram sequer na partitura de um verso,
as velas abandonadas de um navio
padecendo um naufrágio no fundo dos rios,
não há na tela nada disso.
Não há na tela a sensação talvez de um verso
mínimo que seja, registrando o primeiro beijo
o primeiro pecado
o primeiro remorso.
O gesto eloquente
que eu pensava ter no espelho,
e que ninguém notou
ficou enterrado em Mariana
entre minerais e misereres.
Não há nada de mim na tela,
nada reflete o verso que passou por mim
e que se foi sem registro.
Esse verso é que me condena.
Põe na tela a humilhação desse verso:
um traço de viés, em branco, na tela toda branca,
o arremedo de um mugido de gado
pinçado na visão dos cegos.
Põe na tela a memória do galho em que o tempo descansa
naquele verso que eu deveria ter feito e que não fiz.
E nas mãos condenadoras de Deus,
se comprimindo,
põe a minha cabeça
e a eternidade do trigo
a circunferência do pão
e a quadratura do vinho.
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IDEIA SUBALTERNA "GERALDO REIS - Prêmio LIVRO DO MÊS"- Crítica de EDGARD PEREIRA
COM ALEGRIA,TRANSCREVO
do blog
IDEIA SUBALTERNA. Prêmio: LIVRO DO MÊS ]
Geraldo Reis
Livro do mês:
Galardoado com o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, em 1981, o livro
de poemas de Geraldo Reis, Pastoral de Minas, mantém-se atual
e instigante. Muito mais que uma coletânea de versos, o leitor vê-se diante de
uma estrutura verbal orgânica e significativa. O título arrasta consigo uma
dupla inscrição, ao indiciar uma fértil ambiguidade: de um lado aponta a
vizinhança com os documentos episcopais, de natureza moral, enquanto de outro
se mostrar como registro de digressões e notas a respeito de pastores. Enquanto
aquela denota o zelo em apregoar a exortação moral, como tratado de condutas e
modos de viver, esta alinha-se como rol de sabedoria de conhecimentos
empíricos, relacionada a assuntos ligados à vida rústica e pastoril. Em ambas,
o que sobeja diz respeito à manutenção de códigos, de intenções e alcance
específicos, evidentes em resquícios, vestígios cartoriais e poéticos, com
assertivas introdutórias pungentes: “Essa penumbra de proibição, destempero,
alumbramento. Esse pelo, esse cavalo a galope tão primeiro, e derradeiro, e
decadente, e parvo, o próprio peito. Esse pelo-sinal de pobreza, assessoria de
miserê, parceria de ‘prevaricou’, ‘pecou’, ‘levou’.” (Reis, 1981, 23)
Não se nasce
impunemente nas montanhas, Minas é muito mais que uma notação geográfica ou
histórica – é silício, destino de farsa e desengano - “onde domar a trama /
onde bulir o drama / onde cozer a farsa // onde cevar a faina / onde doer a
fama / onde puir a praça” (Reis, 1981, 37). A segunda epígrafe, de Cecília
Meireles, põe em relevo a crispada onda de sublevação, de fundas e sombrias
memórias: “O país da Arcádia / súbito escurece / em nuvens de lágrimas. /
Acabou-se a alegre / pastoral dourada: / pelas nuvens baixas, / a tormenta
cresce”. A convenção árcade, desde então convocada, faz-se presente ao longo
dos poemas, em traços que relevam a delicadeza da écloga, o viver nômade, a
exaltação da sabedoria rústica. Tudo isso, sem desdenhar a bruta realidade, em
que pontuam “aves de ag’ouro, encomendas / o couro negro das fadas // há penhas
como quimeras / quimeras como pedradas” (Reis, 1981, 27). Em notações mais
incisivas, pontuais: “caiam bênçãos de Deus / sobre o teu quepe // como uma
faca viva / te decepe” (Reis, 1981, 40). A identificação do poeta ao pastor
salienta um sentido de sabedoria intuitiva, segundo lição de Chevalier e
Gheerbrant: “O pastor simboliza a vigília; sua função é um constante exercício
de vigilância: este está desperto e vê. (...) Por causa das diferentes funções
que exerce, o pastor aparece como um sábio, cuja ação deriva da contemplação e
da visão interior”. (Chevalier; Gheerbrant, 1988, 691-692).
eu sei dos danos
das minas
arando o ouro da
intriga
também conheço o
carinho
de devotadas
marílias
se não me aprumo é
por logro
das amadas
concubinas
dou minhas barras
de ouro
pelo coito das
meninas
(...)
(Reis, 1981, 64)
Ainda que voltada
para formas populares, a escrita poética desta pastoral não se afasta da
consciência da história. Nem dos torneios frasais típicos da fala da província,
encaminhando o registro para a esfera da linguagem como legado: “meu coração
não emenda coisa com coisa / pensamento ou fala / ou mesmo um fio / de memória
amarga” (Reis, 1981, 70). O verso de Geraldo Reis guarda segredos e ecos
imprevistos – “e era tudo um mau cheiro de mudo / arengando detrás da vidraça”
(Reis, 1981, 33); “antes de tudo / o riacho / compondo rimas no vale// antes de
tudo / o capacho / do que me corte ou retalhe” (Reis, 1981, 36). O livro
termina cigano como começou, reavivando o nomadismo, no início, a viagem das
tropas: “agora o touro / agora o ouro / agora o negro// as mulas de carga
rara”; no final, referindo o cavalo “negro, baio e erradio”. Bela e
surpreendente fábula poética, de ressonâncias melódicas inusitadas, alguma
incursão barroca, aguda percepção das modulações mínimas, sem medo de transitar
pelos atalhos da história e da tradição, municiada das ferramentas da
modernidade e da crítica.
CHEVALIER, Jean;
GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. Trad. Vera da Costa
e Silva et al. Rio de Janeiro: José Olympio, 1988.
REIS,
Geraldo. Pastoral de Minas. Belo Horizonte: Comunicação, 1981.
18/10/2015
EXCERTO DE 'ESTAÇÕES DA AUSÊNCIA'
Excerto de
ESTAÇÕES DA AUSÊNCIA
PASCHOAL MOTTA
Destaque para essa joia. Momento de altíssimo sentir e viver em poesia de permanente amor. O poema nos parece tenro, mas, “é de 1995”, informa o emocionado menestrel. Lá se foram 20 anos! O poema, rejuvenescido, novo em folha, vai atravessando o tempo, como se fosse um fruto saboroso, um perfume, um beijo trazido pela brisa da manhã para a afinar a sensibilidade, emocionar corações apaixonados e encantar o mundo. (Geraldo Reis)
- REGISTRO -
- REGISTRO -
E hoje, 21/10/2023, acrescento: Um ano de seu passamento, Poeta! Continuamos no propósito de defender as bandeiras do verso, do espanto, das palavras perdidas, cordeiros que tentamos apascentar um dia juntos.
O cajado em que escoramos a falta de sua presença física, aponta os rumos da caminhada. Esteja em Paz. Aqui, haveremos de esperar a Primavera que virá... e certamente virá.
Ainda que não tenhamos seus (do poeta) "olhos físicos" para vê-la, ela permanece, e permanecendo, virá, pois nunca se foi. Está imortalizada nos versos que lhe foram consagrados. (GR).
viajas no pólen do desejo
nas asas de abelhas operosas,
luz inteira, garça em azul;
voltas do sempre, desde o gesto
inicial, desde a pedra e o musgo,
desde a fonte, desde a sede;
e chegas: tuas mãos destas vazias
velejam num remanso de lágrima,
por ausência e apelos repetidos;
luar na tarde, calma na estrada,
sonho de um sabiá protegido
na sombra de verde cantiga;
nem sabia mais o gosto da polpa
da manga de vez das meninices,
cheiro roxo do capim-de-mel;
agora, encanto: a festa nas espigas,
e te reencontro, encantada manhã,
flor de primavera, seiva e raiz.
HERANÇA
Geraldo Reis
Depois da noite, do abismo da noite
ninguém perturbe o silêncio dos óculos deixados,
como que esquecidos de mim,
sobre a mesa.
Nunca mais verei
com aqueles óculos,
minha dama,
De segredo feita e paisagem.
Nenhum calor
nas lentes
que a recorde.
No quarto onde mal dormia
eu vos deixo de herança
meus olhos cambaios.
28/03/2015
ALÍVIO
ALÍVIO
Márcio Almeida
Uma noite sem pernilongo,
uma semana sem falcatrua da Petrobras,
uma chuvinha com raios e trovões em meio a madrugada,
um jornal de TV sem bala perdida,
um dia sem falta
d´água,
um consenso no Congresso a favor do povo,
um dia sem o risco de apagão,
um outro dia sem aumento das taxas de serviços,
um programa de TV sem apelação ao sexo,
um político pronunciando a palavra "nós",
uma música que não seja só sertanoja ou funk,
um jornal sem a conivência com o poder,
uma religiosidade sem as peias do fanatismo,
uma manifestação pública sem os excessos do rancor,
um atendimento no SUS sem
omissão,
uma ida ao supermercado sem
inflação,
um livro bom que não seja best-seller,
uma taxa que não tenha desemprego,
uma redação do Enem que não tenha nota zero,
24 horas apenas sem o país entrar em déficit,
um outro sem o aumento de juros e tarifaço,
um expediente de Brasília sem o lastro da falácia,
um poente verde na Amazônia sem prostituição ecológica,
um dia nas megalópoles sem o drama apocalíptico,
uma hora de preservação histórica ameaçada pela penúria,
um novo cânone que não se baseie em carnaval e futebol,
uma lei seca contra a operação Lava-Jato,
uma outra lei que não engesse as artes e a cultura,
e ainda uma lei contra os embargos continentais,
um encolhimento no mercado de veículos aqui ou na Rússia,
uma arrecadação que não seja pilhada por subterfúgios,
uma dívida que não comprometa as futuras gerações,
um resgate da perda quase irreparável da legitimidade
política do país,
um refresco nos ataques terroristas no Oriente Médio,
uma bandeira branca contra as guerras pelo mundo,
uma reportagem definitiva sobre o massacre de judeus na 2a
Guerra,
uma serventia gratuita
para smartphones e avanços da
tecnologia,
um espelho para a transparência,
um antídoto contra os recordes inseguros (mortes, roubos,
assaltos),
uma garantia para a liberdade de imprensa,
um idioma universal, um green
card universal,
um aproveitamento de mais de 0,01% do cordão umbilical de
banco privado de sangue,
um planejamento familiar planetário,
um ovni para esticar a vida fora da Terra,
uma forma para livrar o país de 32 bi nas contas públicas,
um único dia sem competitividade humana,
um único dia sem cometer devassa na natureza,
uma chance para tirar o país da UTI,
um instante para lembrar que a poesia (ainda) existe.
12/05/2013
OURO PRETO: A CASA DOS CONTOS
A Casa Eternizada, Multiplicadora de Espantos
Tive o meu encontro com o inefável a partir de uma visão que eu diria caótica (também transfigurada e transfiguradora) das casas e ruas de Ouro Preto e Mariana. Pude, assim, dizer que ali:
O casario todo
range doido e teme
meu corpo de enforcado
pendendo das goteiras.
E pude constatar que:
E pude constatar que:
antes da memória o medo
já pastava essas montanhas
e o
desespero futuro
ventava nos arvoredos.
Em razão dessa tresloucada abordagem, diálogo
meramente estético com os sítios dadivosos de Ouro Preto e Mariana, e em razão,
sobretudo e principalmente, de nossa antiga amizade, recebo de Elias
Layon, um convite feito quase à queima-roupa, para uma viagem de retorno a Ouro
Preto, e que devo empreender através de seu mais recente trabalho, creio.
O
convite tem razão de ser. É que o extraordinário pintor acabou de dar à luz uma
“série expressionista” cerca de 100 quadros, centrada na Casa dos Contos.
Trata-se, segundo diz, de “um tributo” ao monumento, desta feita, porém,
segundo outra ordem estética.
Ei-lo,
assim, expressionista, grande fabro, reinventando a Casa e as suas entranhas,
de uma maneira, diz, “mais solta e mais despojada”. Com esse despojamento, é
que põe a casa em movimento e em pesadelo, como coisa viva, como ser pensante.
Cuidadoso, me avisa:
“A Casa pertence ao Ministério da Fazenda”, mas não é verdade. A Casa, Elias, pelo menos esta, reinventada, é patrimônio de outra humanidade. Agora, mais do que nunca, é patrimônio do indescritível, do indizível, do ininventável, de uma emoção estética toda feita de cór (o acento, aqui, é licença poética) e de cores em movimento.
Nas telas, a Casa transcende a matéria de que é feita. É como um rio vazando as comportas e que se derrama. Depois de Elias Layon, seguramente, a Casa dos Contos é outra Casa, e segundo a nova estética, é líquida e ao mesmo tempo vaporosa.
Ora arrancada de suas raízes é levada pelo
vento, ora inventando intempéries, a Casa (que é interior) é futuro e é
passado.
Por
exemplo, aqui a Casa chove. Daqui a pouco um relâmpago há de atravessar as suas
entranhas (corredores, sótãos e porões), e no afã de se mostrar amorável, a
Casa há de abrir suas portadas e janelas para que venha o vento, esse mesmo
vento que ontem soprou sobre o corpo desesperado de Cláudio, tomado de
extermínio. Falta-lhe talvez, e apenas, para completar o espetáculo, meu corpo
de enforcado pendendo das goteiras, repetindo o poema. É assim que te vejo, ó Casa dos Contos!
Em boa hora, quando a memória dos homens, por tranquila, ia dando o passado por encoberto, o dito pelo não-dito, o morto pelo mito, Elias Layon te reinventa, e te dá formas e cores que não suspeitávamos. E te dá uma fisionomia outra, desconhecida de todos nós.
Nessa viagem, a Casa anoitece, a Casa amanhece.
De repente, rubra. É como um ferro em brasa: carece de marcar a pele sombria
dos homens? A memória vazada de esquecimento?
Tendo adquirido vida própria através desse
“trabalho de parto”, a casa renasce. E quando renasce, dói. Depois, engrisalha,
envelhece empanturrada de história, chega à janela de si mesma e vai fundo na
sensibilidade.
Quando venta, Layon, é a Casa que suspira,
reinventada... Como é formidável essa Casa! Azul. Infinitamente.
O azul que é cinza? Não importa.
É lilás? Importa menos ainda.
Aqui, vale a transfiguração, mais do que o azul-beira-de-abismo, o azul cismando-vésperas-de-verde.
Eh, a Casa foi, por amor, roubada a Ouro Preto. Reside agora nos quadros incendiados de Elias Layon.
Se aqui a Casa desaparece entre brumas, ali, transpõe os umbrais do medo e reaparece luminosa. Agora desconectada de sua realidade estática, está ligada à estética.
E aí, a Casa tem gestos que vêm de caibros e ripas, de telhados antigos e de certas paredes (a parede é carne humana de fato, ousei dizer num poema antigo), de certas janelas que acenam, e de umas pedras que, esquecidas, são escadas, gestos marcados com as digitais de nossos antepassados, sinais que Elias cuidou de redescobrir e preservar.
Olho a Casa, e ela conversa comigo, reinventada nesse desvario que é dele (Pintor) e dela (Casa), assim irmanados.
Num idílio de cores incomuns, momento seu de especial criação, Elias “viaja” até às entranhas da Casa, viaja de peito aberto e talvez de olhos fechados porque não carece de abrir os olhos para fazer a viagem, se a Casa é interior. Viaja completamente para espreitá-la e desvendar-lhe mistérios de ontem, inventando-lhe mistérios de amanhã.
O fato é que, nessa viagem, Elias Layon não hesitou para que a Casa, mercê de todo esquecimento, se mudasse para as telas.
Ao transfigurar a Casa, revela para todos nós
a sua variegada face, essa face outra que é da Casa, e é de Elias Layon: face
nova, pletora de uma metáfora que se projeta no futuro, tanto eternizada quanto
multiplicadora de espantos.
Fonte: www.eliaslayon.com.br
Autor: Geraldo Reis
Data da publicação no site: 2010-01-31
30/07/2011
25/04/2011
GERALDO REIS: O SER SENSÍVEL: POEMA PARA FRANCISCO CARVALHO, POETA-MOR
GERALDO REIS: O SER SENSÍVEL: POEMA PARA FRANCISCO CARVALHO, POETA-MOR
08/02/2011
11/05/2010
AI DE TI, HAITI
AI DE TI, HAITI!
Márcio Almeida
Ai de ti, Haiti!
Cloaca da miséria a perguntar ao mundo
se Deus existe.
Entulho da morte, pátria do caos.
Ai de ti, carniça viva
a dar azia em urubu.
Nação a mando do diabo,
do açúcar acre, do carvão sem cinza,
do exército cômico para deleite de Guerrit Verschuur,
da vida a menos de um dólar,
da única universidade soterrada no desconhecimento
de sua fragilidade sísmica.
Ai de ti, cemitério a céu aberto
como seus esgotos, suas heresias no Palácio dos Milagres,
suas feridas abertas na História,
suas dinastias que Papa e Baby DOCumentam o horror da desgraça
que não cessa,
seu jugo estrangeiro a quem em inglês, francês, espanhol ou vudu
exauriu seu solo, furtou seu pouco de nada, anulou seu futuro.
O inferno pó-moderno teve seu apocalipse trêmulo
e chama-se Haiti.
Subserviência sob domínio da fome,
Terra morta por terremoto,
entre saques e violência,
povo sem sinapse com o real,
em fuga sem para onde,
aeroporto sem destino,
Porto Príncipe sob a realeza de mundo-cão.
Que os seus mortos adubem a esperança,
que seus políticos de mentira aprendam com a finitude,
que suas ajudas humanitárias
reconstruam o que seu povo nunca teve,
que suas ruínas ensinem a ouvir
entre vozes de concreto o apelo
de barrigudinhos catarrentos,
que seu cheiro pútrido chegue aos salões de festa,
às mesas fartas, aos bunkers dos G8,
aos cultos e aos discursos dos poderosos.
Ai de ti, Haiti!
Agora que a Natureza te riscou do mapa
e abalou o alicerce do planeta,
e que o mundo, solidário ao seu castigo por existir
escravo de tudo e todos,
possa, Haiti, vingar como veneno tardio
a única certeza de Deus não morrer antes
de um dia te ver feliz.
30/04/2010
POEMA COMO CANTO REDIMIDO, PARA FRANCISCO CARVALHO, POETA-MOR
POEMA COMO CANTO REDIMIDO,
PARA FRANCISCO CARVALHO,
POETA-MOR
Geraldo Reis
Empresta-me o teu abismo e a tua lua
e serei um demiurgo
e andarei cantando loas
com a boca invisível de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu devaneio e a tua prole
a tua sandália, os teus pés e o teu corpo
andarei entre sarças de fogo, incólume às labaredas
e entrarei no paraíso como no coração de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua ceia e os teus convivas
os grãos de luz de teu celeiro e o teu pasto
empresta-me a tua coleção de antigos versos
e o teu canto de sereia arremessado contra os barcos
e cantarei com a tua voz de pálpebra cerrada
como no paraíso verde de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua janela e o que dela se descortina
cantarei diante do deserto ao vislumbrar as searas apenas inventadas
e verei multiplicarem-se os oásis e as miragens
como na multiplicação dos pães, dos peixes e da chuva
e verei a multiplicação do próprio Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu rio e os teus seixos
a tua areia e os teus peixes
e terei uma sede infinita
e uma fome tão ampla como os territórios de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu cardume de sonho e de desejo
o teu livro de rezas e manufaturas
a poção com que se faz um barco,
uma espiga, uma estrela
uma bússola, um epitáfio, um pássaro
e possuirei as esquinas de Manhattan,
os subúrbios de Paris
as tardes de tua adolescência conspurcada
a tua bandeira de fé projetada no vácuo
donde entrarei cantando na claridade de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua oficina e afinemos os barcos
para que singrem como estilete as águas
empresta-me no espelho a tua face imóvel
repetida no verso, como num lago
e entrarei na baía de todos os santos de Deus como num monastério
e serei salvo.
Empresta-me a tua história, a lenda que habitavas
teu cajado, a tua figura de pastor e o teu rebanho de cabras
e serei como a canção de tua boca
e entrarei no ouvido de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu reino e os teus vassalos
o cavalo que um dia sonhaste galopando em alto-mar
o salto que ele dava e que anulava a distância
entre o mergulho no abismo e o teu afeto
e penetrarei triunfante como um dardo
na escuridão do olhar de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a fração de mar que refletiu teu rosto
onde a primeira ruga era um pombo musicado
a rua clara conduzindo ao impossível
terreno donde se espalha o combate
entre o anjo bom que colhe o verso
e o anjo mau que dissemina o sargaço,
e estarei cantando como o urutau que subsiste
às intempéries da atual falta de canto
e entrarei na partitura do próprio canto de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua retina e o que nela se enquadra
e empresta-me a paz de teus lábios cerrados
(não para sempre,
mas enquanto dormes)
e cantarei com a voz da tempestade como um novo dilúvio
e entrarei no sono de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o que restou de voz ao filho pródigo
o que sobrou do banquete natalino dos mendigos
empresta-me a insônia do que viveu mais pobre
porque tudo o que tinha era nada
e estarei cantando como quem pede
um lugar para sempre na simplicidade de Deus
e serei salvo.
Empresta-me as embarcações mais frágeis
as rotas ignoradas e os versos inacabados
empresta-me o degredo do que não teve pátria
nem dinheiro, nem endereço, identidade, vida ou morte
e estarei cantando, assim como quem passa
a vida inteira diante de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a cerração mais densa e o luar mais baço
empresta-me o teu olho esquerdo
(que o direito pode fazer falta)
e empresta-me a tua história que repete
a pupila do eterno enquanto passo
e estarei cantando como quem abre
o guarda-chuva da proteção que vem de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu catre
e nele o que foi sonho
principalmente empresta-me o teu sinete
as carpideiras que te amaram e que se foram
as amantes que te consumiram e já nem te comovem,
o ar que penetrando os teus pulmões
voltou como verso e como canto redimido
e entrarei nos domínios de Deus com no domingo mais claro
um eterno domingo na madrugada de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua coleção de antúrios e o teu cão de guarda
as canções que tombaram à porta de tua morada
até que chegue o sol e até que chegue a lua
até que chegue a nova eternidade
que existe depois de Deus e do abismo
e serei salvo.
e serei um demiurgo
e andarei cantando loas
com a boca invisível de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu devaneio e a tua prole
a tua sandália, os teus pés e o teu corpo
andarei entre sarças de fogo, incólume às labaredas
e entrarei no paraíso como no coração de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua ceia e os teus convivas
os grãos de luz de teu celeiro e o teu pasto
empresta-me a tua coleção de antigos versos
e o teu canto de sereia arremessado contra os barcos
e cantarei com a tua voz de pálpebra cerrada
como no paraíso verde de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua janela e o que dela se descortina
cantarei diante do deserto ao vislumbrar as searas apenas inventadas
e verei multiplicarem-se os oásis e as miragens
como na multiplicação dos pães, dos peixes e da chuva
e verei a multiplicação do próprio Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu rio e os teus seixos
a tua areia e os teus peixes
e terei uma sede infinita
e uma fome tão ampla como os territórios de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu cardume de sonho e de desejo
o teu livro de rezas e manufaturas
a poção com que se faz um barco,
uma espiga, uma estrela
uma bússola, um epitáfio, um pássaro
e possuirei as esquinas de Manhattan,
os subúrbios de Paris
as tardes de tua adolescência conspurcada
a tua bandeira de fé projetada no vácuo
donde entrarei cantando na claridade de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua oficina e afinemos os barcos
para que singrem como estilete as águas
empresta-me no espelho a tua face imóvel
repetida no verso, como num lago
e entrarei na baía de todos os santos de Deus como num monastério
e serei salvo.
Empresta-me a tua história, a lenda que habitavas
teu cajado, a tua figura de pastor e o teu rebanho de cabras
e serei como a canção de tua boca
e entrarei no ouvido de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu reino e os teus vassalos
o cavalo que um dia sonhaste galopando em alto-mar
o salto que ele dava e que anulava a distância
entre o mergulho no abismo e o teu afeto
e penetrarei triunfante como um dardo
na escuridão do olhar de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a fração de mar que refletiu teu rosto
onde a primeira ruga era um pombo musicado
a rua clara conduzindo ao impossível
terreno donde se espalha o combate
entre o anjo bom que colhe o verso
e o anjo mau que dissemina o sargaço,
e estarei cantando como o urutau que subsiste
às intempéries da atual falta de canto
e entrarei na partitura do próprio canto de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua retina e o que nela se enquadra
e empresta-me a paz de teus lábios cerrados
(não para sempre,
mas enquanto dormes)
e cantarei com a voz da tempestade como um novo dilúvio
e entrarei no sono de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o que restou de voz ao filho pródigo
o que sobrou do banquete natalino dos mendigos
empresta-me a insônia do que viveu mais pobre
porque tudo o que tinha era nada
e estarei cantando como quem pede
um lugar para sempre na simplicidade de Deus
e serei salvo.
Empresta-me as embarcações mais frágeis
as rotas ignoradas e os versos inacabados
empresta-me o degredo do que não teve pátria
nem dinheiro, nem endereço, identidade, vida ou morte
e estarei cantando, assim como quem passa
a vida inteira diante de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a cerração mais densa e o luar mais baço
empresta-me o teu olho esquerdo
(que o direito pode fazer falta)
e empresta-me a tua história que repete
a pupila do eterno enquanto passo
e estarei cantando como quem abre
o guarda-chuva da proteção que vem de Deus
e serei salvo.
Empresta-me o teu catre
e nele o que foi sonho
principalmente empresta-me o teu sinete
as carpideiras que te amaram e que se foram
as amantes que te consumiram e já nem te comovem,
o ar que penetrando os teus pulmões
voltou como verso e como canto redimido
e entrarei nos domínios de Deus com no domingo mais claro
um eterno domingo na madrugada de Deus
e serei salvo.
Empresta-me a tua coleção de antúrios e o teu cão de guarda
as canções que tombaram à porta de tua morada
até que chegue o sol e até que chegue a lua
até que chegue a nova eternidade
que existe depois de Deus e do abismo
e serei salvo.
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